A Teologia é um mal necessário. Quase como um tipo de antinomia, tal afirmação reafirma, desconstrutivamente, o atual devir de uma disciplina tanto frustrante quanto fascinante nos mais diferentes meios.No que tange à frustração, a teologia, por muitas vezes, debruçou-se sobre valores supérfluos e acientíficos, tais como os paradigmas ocidentais de modernidade e pós-modernidade. Em todos os casos não se pode maquear seus legados à sociedade como um todo, de ora e do porvir. Vejam-se os tipos de fundamentalismos religiosos enésimamente exsurgidos, os quais advêm das mais diferentes correntes da teologia e filosofia clássicas.
Seu fascínio diz respeito há uma leitura alternativa oriunda ainda no século passado, de um viés cuja orientação fora uma leitura marxista da Bíblia. Tivemos assim a América Latina como seu grande arcabouço teórico dada sua realidade histórica. Tal leitura permitiu-lhe abrir os horizontes para a crítica e a história, ou, mais precisamente, uma leitura histórico-crítica da mesma.
Talvez devessemos nos aprofundar neste aspecto numa outra oportunidade. O que nos vale todavia para o fim imediato é saber como este tipo de desconstrução, cujo parâmetro abrange também o "senso bíblico", portanto em sentido latu sensu, encontra sua linha condutora imbricada na história.
Toda desconstrução é um tipo de retorno. Segundo Nietszche, por exemplo, este re-torno deve ser eterno. Uma vez que nos dispomos a mudar devemos ter por premissa não a destruição de nossos conceitos, mas, dispô-los de maneira que possamos enxergá-los em larga escala. O epíteto de tal afirmação, entretanto, não é o desconstruir em si, mas, em nossa capacidade de avaliação do processo. Surge assim uma teologia não mais INTEGRAL, mas, VISCERAL. Enquanto a integralidade norteia-se apenas pela lateridade , a visceralidade fundamenta-se, além desta, pela profundidade. Vejamos como.
O visceral reclama pelo paradoxal na medida em que encontra no corpo seu paradigma. Isto abarca o físico e o metafísico. Na medida em que a teologia abandona o corpo, abandona suas fraquezas, quimeras, dores, utopias; lega-lhe, por fim, a singularidade, humanidade. Seus efeitos encontram-se expressos na grande tela ocidental do uni-verso estabelecido. Na ocidentalidade nossa de cada dia. O corpo esconde a existência ao mesmo tempo que a explicíta. Uma teologia do corpo é, portanto, uma teologia visceral, amoral, paradoxal.
Numa ânsia vomitória corpórea, vamos de encontro a um nada. Ao mesmo tempo que queremos, não queremos. Os quereres entrecruzam-se. Trata-se de um "mal" que nos faz "bem". Das visceras uma excreção ejeta-se contra e a favor da gravidade (de caso a caso).
Por fim, uma teologia visceral reclama por vida, mesmo que seu preço seja uma aparente ameaça a esta. O visceral é o princípio do recomeço: é permitir-se passar por camelo (transporte de valores estabelecidos), transformar-se em leão (crítica feroz dos valores) e, enfim, transmutar-se em criança (Re-começo).
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