sexta-feira, fevereiro 3
quinta-feira, fevereiro 2
A outra margem do rio
Numa dessas conversas sobre a vida, ainda nos grotões universitários, vi-me entusiasmado pela paixão que tinha, e ainda tenho, por este incerto e quase inexeqüível ato: viver.
Lembro-me de que, naquele encontro, declarei-me avesso aos “planos humanos”, o que causou estarrecimento e perplexidade em meus colegas de empreitada acadêmica. Meu argumento baseava-se no fato de que, uma vez traçados os ditos planos, circunscreveríamos a vida a uma regra pré-estabelecida, condicionando-a a esses mesmos planos; tornando-a indelével, irretocável e inexorável; não-contraditória portanto.
Li em algum lugar que “a única certeza que devemos ter é a da mudança”, e não admiti-la é autodestruição, é não permitir-se às suas intempéries: negação esclarecida e auto-suficiente da dialética em tempos de globalização.
Lembro-me, por hora, do dito dos navegadores europeus medievais: “navegar é preciso, viver não é preciso”. Pergunto-me então: quantos de nós, ocidentais, não somos presos e presas dessa “pseudo-precisão”, legada principalmente de nossos ancestrais iluministas, dos quais temos por substrato a Ciência? De quantas ideologias ainda haveremos de abdicar, até que aprendamos a nos desenvolver filosófica e eticamente? Haverá um mar que, para onde quer que nos leve, nos faça pensar? E, que força nos fará navegar?
Segundo os dicionários convencionais a palavra oportunidade remete a idéia de “ocasião” ou “momento favorável”; “momento oportuno”. Seu étimo, porém, nos delicia com algo mais: do latim opportunus, foi formada do prefixo ob- "em direção a" + portus "porto de mar", e na origem, em latim pré-clássico, utilizada apenas para nomear os ventos mediterrâneos que enfunavam as velas dos barcos em viagens de ida ou de retorno ao lar: eles [os ventos] é que eram oportunos - ou não. A oportunidade que se deve aproveitar é, assim, o bom vento que nos pode levar sem demora a um porto (in)seguro: o qual, por sua vez, pode ser uma entrada... ou mesmo uma saída. Um porto, afinal, não é - sempre - uma porta, ou ainda, a outra margem do rio?
Li em algum lugar que “a única certeza que devemos ter é a da mudança”, e não admiti-la é autodestruição, é não permitir-se às suas intempéries: negação esclarecida e auto-suficiente da dialética em tempos de globalização.
Lembro-me, por hora, do dito dos navegadores europeus medievais: “navegar é preciso, viver não é preciso”. Pergunto-me então: quantos de nós, ocidentais, não somos presos e presas dessa “pseudo-precisão”, legada principalmente de nossos ancestrais iluministas, dos quais temos por substrato a Ciência? De quantas ideologias ainda haveremos de abdicar, até que aprendamos a nos desenvolver filosófica e eticamente? Haverá um mar que, para onde quer que nos leve, nos faça pensar? E, que força nos fará navegar?
Segundo os dicionários convencionais a palavra oportunidade remete a idéia de “ocasião” ou “momento favorável”; “momento oportuno”. Seu étimo, porém, nos delicia com algo mais: do latim opportunus, foi formada do prefixo ob- "em direção a" + portus "porto de mar", e na origem, em latim pré-clássico, utilizada apenas para nomear os ventos mediterrâneos que enfunavam as velas dos barcos em viagens de ida ou de retorno ao lar: eles [os ventos] é que eram oportunos - ou não. A oportunidade que se deve aproveitar é, assim, o bom vento que nos pode levar sem demora a um porto (in)seguro: o qual, por sua vez, pode ser uma entrada... ou mesmo uma saída. Um porto, afinal, não é - sempre - uma porta, ou ainda, a outra margem do rio?
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