Minha í n t e g r a dor
minha e n t r e g a dói
minha e s f r e g a
minha, t r a g a...
minha p r a g a
minha p r e g a
minha t r é g u a
r é g u a
é g u a
e g o
bonfah
quarta-feira, agosto 23
sexta-feira, fevereiro 3
quinta-feira, fevereiro 2
A outra margem do rio
Numa dessas conversas sobre a vida, ainda nos grotões universitários, vi-me entusiasmado pela paixão que tinha, e ainda tenho, por este incerto e quase inexeqüível ato: viver.
Lembro-me de que, naquele encontro, declarei-me avesso aos “planos humanos”, o que causou estarrecimento e perplexidade em meus colegas de empreitada acadêmica. Meu argumento baseava-se no fato de que, uma vez traçados os ditos planos, circunscreveríamos a vida a uma regra pré-estabelecida, condicionando-a a esses mesmos planos; tornando-a indelével, irretocável e inexorável; não-contraditória portanto.
Li em algum lugar que “a única certeza que devemos ter é a da mudança”, e não admiti-la é autodestruição, é não permitir-se às suas intempéries: negação esclarecida e auto-suficiente da dialética em tempos de globalização.
Lembro-me, por hora, do dito dos navegadores europeus medievais: “navegar é preciso, viver não é preciso”. Pergunto-me então: quantos de nós, ocidentais, não somos presos e presas dessa “pseudo-precisão”, legada principalmente de nossos ancestrais iluministas, dos quais temos por substrato a Ciência? De quantas ideologias ainda haveremos de abdicar, até que aprendamos a nos desenvolver filosófica e eticamente? Haverá um mar que, para onde quer que nos leve, nos faça pensar? E, que força nos fará navegar?
Segundo os dicionários convencionais a palavra oportunidade remete a idéia de “ocasião” ou “momento favorável”; “momento oportuno”. Seu étimo, porém, nos delicia com algo mais: do latim opportunus, foi formada do prefixo ob- "em direção a" + portus "porto de mar", e na origem, em latim pré-clássico, utilizada apenas para nomear os ventos mediterrâneos que enfunavam as velas dos barcos em viagens de ida ou de retorno ao lar: eles [os ventos] é que eram oportunos - ou não. A oportunidade que se deve aproveitar é, assim, o bom vento que nos pode levar sem demora a um porto (in)seguro: o qual, por sua vez, pode ser uma entrada... ou mesmo uma saída. Um porto, afinal, não é - sempre - uma porta, ou ainda, a outra margem do rio?
Li em algum lugar que “a única certeza que devemos ter é a da mudança”, e não admiti-la é autodestruição, é não permitir-se às suas intempéries: negação esclarecida e auto-suficiente da dialética em tempos de globalização.
Lembro-me, por hora, do dito dos navegadores europeus medievais: “navegar é preciso, viver não é preciso”. Pergunto-me então: quantos de nós, ocidentais, não somos presos e presas dessa “pseudo-precisão”, legada principalmente de nossos ancestrais iluministas, dos quais temos por substrato a Ciência? De quantas ideologias ainda haveremos de abdicar, até que aprendamos a nos desenvolver filosófica e eticamente? Haverá um mar que, para onde quer que nos leve, nos faça pensar? E, que força nos fará navegar?
Segundo os dicionários convencionais a palavra oportunidade remete a idéia de “ocasião” ou “momento favorável”; “momento oportuno”. Seu étimo, porém, nos delicia com algo mais: do latim opportunus, foi formada do prefixo ob- "em direção a" + portus "porto de mar", e na origem, em latim pré-clássico, utilizada apenas para nomear os ventos mediterrâneos que enfunavam as velas dos barcos em viagens de ida ou de retorno ao lar: eles [os ventos] é que eram oportunos - ou não. A oportunidade que se deve aproveitar é, assim, o bom vento que nos pode levar sem demora a um porto (in)seguro: o qual, por sua vez, pode ser uma entrada... ou mesmo uma saída. Um porto, afinal, não é - sempre - uma porta, ou ainda, a outra margem do rio?
sexta-feira, janeiro 13
Teologia Visceral
A Teologia é um mal necessário. Quase como um tipo de antinomia, tal afirmação reafirma, desconstrutivamente, o atual devir de uma disciplina tanto frustrante quanto fascinante nos mais diferentes meios.No que tange à frustração, a teologia, por muitas vezes, debruçou-se sobre valores supérfluos e acientíficos, tais como os paradigmas ocidentais de modernidade e pós-modernidade. Em todos os casos não se pode maquear seus legados à sociedade como um todo, de ora e do porvir. Vejam-se os tipos de fundamentalismos religiosos enésimamente exsurgidos, os quais advêm das mais diferentes correntes da teologia e filosofia clássicas.
Seu fascínio diz respeito há uma leitura alternativa oriunda ainda no século passado, de um viés cuja orientação fora uma leitura marxista da Bíblia. Tivemos assim a América Latina como seu grande arcabouço teórico dada sua realidade histórica. Tal leitura permitiu-lhe abrir os horizontes para a crítica e a história, ou, mais precisamente, uma leitura histórico-crítica da mesma.
Talvez devessemos nos aprofundar neste aspecto numa outra oportunidade. O que nos vale todavia para o fim imediato é saber como este tipo de desconstrução, cujo parâmetro abrange também o "senso bíblico", portanto em sentido latu sensu, encontra sua linha condutora imbricada na história.
Toda desconstrução é um tipo de retorno. Segundo Nietszche, por exemplo, este re-torno deve ser eterno. Uma vez que nos dispomos a mudar devemos ter por premissa não a destruição de nossos conceitos, mas, dispô-los de maneira que possamos enxergá-los em larga escala. O epíteto de tal afirmação, entretanto, não é o desconstruir em si, mas, em nossa capacidade de avaliação do processo. Surge assim uma teologia não mais INTEGRAL, mas, VISCERAL. Enquanto a integralidade norteia-se apenas pela lateridade , a visceralidade fundamenta-se, além desta, pela profundidade. Vejamos como.
O visceral reclama pelo paradoxal na medida em que encontra no corpo seu paradigma. Isto abarca o físico e o metafísico. Na medida em que a teologia abandona o corpo, abandona suas fraquezas, quimeras, dores, utopias; lega-lhe, por fim, a singularidade, humanidade. Seus efeitos encontram-se expressos na grande tela ocidental do uni-verso estabelecido. Na ocidentalidade nossa de cada dia. O corpo esconde a existência ao mesmo tempo que a explicíta. Uma teologia do corpo é, portanto, uma teologia visceral, amoral, paradoxal.
Numa ânsia vomitória corpórea, vamos de encontro a um nada. Ao mesmo tempo que queremos, não queremos. Os quereres entrecruzam-se. Trata-se de um "mal" que nos faz "bem". Das visceras uma excreção ejeta-se contra e a favor da gravidade (de caso a caso).
Por fim, uma teologia visceral reclama por vida, mesmo que seu preço seja uma aparente ameaça a esta. O visceral é o princípio do recomeço: é permitir-se passar por camelo (transporte de valores estabelecidos), transformar-se em leão (crítica feroz dos valores) e, enfim, transmutar-se em criança (Re-começo).
terça-feira, janeiro 3
A cidade é um vão
Algumas imagens permeiam nossas mentes, enquanto outras nos acompanham superando tempo e espaço. O fato é que, a despeito da idéia do pão e circo, este último marca o fugaz momento de nossa infância: o riso em coro de crianças mistura-se a medo, aplausos e curiosidade. É a magia do circo no entreato das mágicas palavras de um palhaço.
Numa cidade afastada dos grandes centros, em meio a grandes plantações de soja, milho e sorgo, adicionada a formas ainda escusas de trabalho escravo, um acontecimento inusitado marcou minha hospedagem por ali: a chegada de um circo. Seu nome: Chapadão do Sul-MS, 300 km de Campo Grande, com cerca de 20 mil habitantes; lugar de minha mãe, irmã e minhas férias.
A notícia pode não guardar nenhuma novidade, em si, para o dileto leitor, todavia, não seja este o ponto. Na verdade, a cidade é daquelas poucas em que ainda se deixa o carro aberto em logradouro público, dorme-se com a janela aberta, há casas sem portão, carros sem seguro, toma-se chimarrão e tereré nos quintais e compra-se "em confiança" (leva-se a mercadoria para casa e depois retorna-se à loja para pagar). Não há semáforos, é possível tirar a roupa do varal antes que a chuva chegue: há uma paisagem aberta e rara no horizonte de sua chapada. Sua economia anda à margem da especulação e sobre suas calçadas não andam mendigos; Suas putas são discretas, portanto não se sabe seu valor.
Decerto que a chegada de um circo deveria ser sinônimo de entretenimento e arte. Não o é.
Sua aparição movimenta a cidade tal qual as ameaçadas cidades medievais: forma-se uma "fortaleza" em seu interior. Motivo: os postulantes da alegria são também espécies de "trombadinhas", realizam pequenos furtos. Perplexa, seu brilho silencia como um som; mistura-se curiosidade ao medo, desta vez de verdade. Os olhos ficam espreitados, surge uma outra cidade na cidade, agora a cidade é um vão.
Assinar:
Postagens (Atom)

