terça-feira, maio 6

Além do caos







Resolveu-se, de uns tempos pra cá, dar-se a cara à tapa, literal e estranhamente falando. Primeiro porque ninguém em sã consciência o faria, segundo, salvo a metáfora a que remete a expressão, nenhum cristão anda oferecendo a face a quem quer que seja. Por outro lado o tapa não está classificado num rol preocupante de violência que nos obrigue a maiores reflexões. Um caso particular, entretanto, me chamou a atenção nos últimos dias.

Um jovem descrevia-me o medo e a tensão de viver um terrível paradoxo: como sobreviver numa sociedade onde homens revestidos de poderes militares e de deveres de proteção social são temidos por ameaçarem esta mesma sociedade? Neste caso, o rapaz descrevia a dura realidade de ter de viver entre a ameaça de ser atingido pelos desdobramentos do tráfico que o avizinha, e a infelicidade de ser confundido rotineiramente com esses laranjas (igualmente vítimas desse sistema). Sofrendo ameaças, perseguições e agressões gratuitas, acuado e sendo constrangido a viver num anonimato que lhe traga “conforto”, o “moleque” procura uma “zona de conforto” no exíguo e quase inexistente espaço de convivência (ou conivência) dos seres. A lógica é a seguinte: Na dúvida, todos apanham!

Tem-se falado ultimamente em se repensar o sentido de proteção da pessoa, nos espaços internos ou externos à família, sobretudo na aplicação do Estado de Direito. Deveríamos, ainda neste ensejo, repensar o verdadeiro sentido das instituições a que pertencemos todos, observados os valores históricos intrínsecos e imprescindíveis desse processo. Tem-se que, a partir do confronto entre o que pensamos e a dialética dos sentidos, pouco se sobre além do caos.

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